João, um hábil estrategista, está ao lado de Lia, 12 anos, valente guerreira que irá comandar a resistência daquele lugar tão precioso

um filme de Cláudio Marques e Marília Hughes

Cláudio Marques

Nasceu em Campinas, São Paulo, em 1970, e mora em Salvador desde 1982. Cláudio foi editor e crítico do jornal Coisa de Cinema durante oito anos (1995-2003). Colaborou para os jornais Tribuna da Bahia e A Tarde. Responsável pela programação da Sala Walter da Silveira (2007-2009), idealizou e hoje é o principal coordenador do Espaço Itaú de Cinema – Glauber Rocha. Cláudio é o idealizador e coordenador do Panorama Internacional Coisa de Cinema.

Cláudio dirigiu, roteirizou e montou diversos curtas premiados. Depois da Chuva é o seu primeiro longa-metragem.

Marília Hughes

Nasceu em Vitória da Conquista, Bahia, em 1978, e mora em Salvador, Bahia, desde 1991. É graduada em Psicologia (1996-2002) pela Universidade Federal da Bahia e mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas (2007-2009) pela UFBA/PósCom. Sócia da empresa Coisa de Cinema onde trabalha, desde 2006, como diretora, produtora e editora. Marília realizou diversos curtas premiados e, desde 2007, é produtora geral do Panorama Internacional Coisa de Cinema, festival internacional de cinema que acontece em Salvador desde 2002. Depois da Chuva é o seu primeiro longa-metragem. Filme vencedor de três prêmios no Festival de Brasília, com participações no Festival de Rotterdam e em mais 29 festivais pelo mundo. Considerado pelo critico Sérgio Alpendre, da Folha de São Paulo, o melhor longa brasileiro dos últimos dez anos.

Notas dos diretores

Guerra de Algodão é um projeto de ficção humanista e que traz à tona sentimentos antigos e universais do Homem. Nos interessa, aqui, os personagens acima de qualquer outra coisa.

Não se pretende realizar um experimento, mas sim um filme de encenação realista, que tem como base um roteiro fortemente narrativo, preocupado em construir um arco dramático claro. Está mais do que provado que o cinema pode ser clássico sem ser banal. Há de se mencionar cineastas que nunca abandonaram o realismo, como John Cassavettes, Maurice Pialat ou Olivier Assayas, mas que produziram incansáveis buscas por soluções de mise en scène que se reinventam a cada sequência.

Com a guerra, a dimensão épica dos acontecimentos permite uma maior liberdade e experimentação, mesmo dentro de um cinema clássico de ação. Os deslocamentos pelo grande areal, a invasão em massa dos meninos da rua de cima, o terreno como desafio (espécie de velho oeste, na construção de um “lugar nenhum”), que pode tanto apequenar ou tornar o homem um gigante, dependendo da maneira como iremos filmar. Na guerra, os planos gerais serão explorados ao lado de movimentos de câmera, ângulos e enquadramentos, mas sem que a narrativa se perca de vista.

Por se tratar de um elenco muito jovem, estaremos atentos ao comportamento e habilidade das crianças selecionadas de modo a aproveitar o que elas já possuem de potencial para dar vida aos personagens. Nesse sentido, o trabalho de casting é fundamental. Já nessa etapa buscaremos uma aproximação psicológica entre os atores e os personagens.

Os cenários tornam-se extremamente importantes, pois interagem e chegam mesmo a influenciar na trajetória dos protagonistas. Pode-se até dizer, por exemplo, que o areal é um personagem da história. Simboliza o desejo das crianças por um espaço amplo, próximo à natureza, que lhes permita correr, jogar bola, subir em árvores, brincar com o corpo, livremente. Algo cada vez mais raro nas grandes cidades. Esse espaço se contrapõe ao apartamento classe média, que com suas paredes brancas, espaços reduzidos, ausência de quintal e varandas, impõe limites evidentes ao brincar.