{"id":37768,"date":"2026-04-02T18:09:05","date_gmt":"2026-04-02T21:09:05","guid":{"rendered":"https:\/\/panorama.coisadecinema.com.br\/?p=37768"},"modified":"2026-04-02T18:09:05","modified_gmt":"2026-04-02T21:09:05","slug":"exibidor-ii-seminario-de-exibicao-promove-debates-sobre-integracao-do-setor-audiovisual-e-lanca-carta-dos-exibidores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/xxipanorama\/exibidor-ii-seminario-de-exibicao-promove-debates-sobre-integracao-do-setor-audiovisual-e-lanca-carta-dos-exibidores\/","title":{"rendered":"EXIBIDOR | II Semin\u00e1rio de Exibi\u00e7\u00e3o promove debates sobre integra\u00e7\u00e3o do setor audiovisual e lan\u00e7a Carta dos Exibidores"},"content":{"rendered":"<p>Exibidores e representantes de distribuidoras e produtoras das cinco regi\u00f5es do pa\u00eds estiveram reunidos no Cine Glauber Rocha, em Salvador (BA), de 25 a 29 de mar\u00e7o, para o II Semin\u00e1rio de Exibi\u00e7\u00e3o, promovido pela Associa\u00e7\u00e3o dos Exibidores Brasileiros de Pequeno e M\u00e9dio Porte (Aexib). O evento foi parte da programa\u00e7\u00e3o do XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema, mais antigo festival de cinema em atividade na Bahia, que se encerra nesta quarta-feira (1), na capital baiana e na cidade de Cachoeira.<\/p>\n<p>Cl\u00e1udio Marques, idealizador do semin\u00e1rio e s\u00f3cio do Cine Glauber Rocha, afirma que o resultado geral foi positivo. \u201cAcho que os encontros tiveram um n\u00edvel muito elevado de discuss\u00e3o. Tivemos muitas converg\u00eancias, diverg\u00eancias tamb\u00e9m, mas que foram tratadas com muita intelig\u00eancia, com muita clareza, e creio que a gente est\u00e1 saindo com um resultado muito positivo e entendendo que, acima de tudo, est\u00e1 todo mundo trabalhando para o melhor do cinema brasileiro: exibidores, distribuidores, produtores.\u201d<\/p>\n<p>Ao longo de 13 pain\u00e9is de debates, os convidados e o p\u00fablico participante destacaram o fato de que, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a produ\u00e7\u00e3o audiovisual brasileira foi bastante estimulada, ampliando o volume e a diversidade de obras nacionais, mas a maioria dos filmes acaba n\u00e3o alcan\u00e7ando o p\u00fablico. Por isso, um dos principais pontos abordados durante todo o Semin\u00e1rio foi a necessidade de n\u00e3o apenas buscar um di\u00e1logo mais alinhado entre todos os elos dessa cadeia produtiva, como tamb\u00e9m maior apoio das pol\u00edticas p\u00fablicas para o setor de exibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a noite de abertura do Semin\u00e1rio, a quinta-feira (26) teve in\u00edcio com uma apresenta\u00e7\u00e3o da Vitrine Filmes sobre a estrat\u00e9gia de lan\u00e7amento de O Agente Secreto. J\u00e1 na parte da tarde, Adriana Rattes, diretora executiva e s\u00f3cia-fundadora do Grupo Esta\u00e7\u00e3o, e Tiago Mafra, diretor executivo da Abraplex, debateram sobre estrat\u00e9gias de circula\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas p\u00fablicas que partam da forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico e da sustentabilidade das salas.<\/p>\n<p>Mafra lembrou que \u00e9 importante diferenciar cineclubes e pontos de cultura do circuito comercial de exibi\u00e7\u00e3o quando se fala em pol\u00edticas p\u00fablicas para esse setor. Al\u00e9m disso, falou da necessidade de pensar o audiovisual para al\u00e9m da cultura, buscando parcerias com outros entes p\u00fablicos &#8211; por exemplo, para a forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico, parceria com o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o -, para n\u00e3o depender apenas do Fundo Setorial do Audiovisual.<\/p>\n<p>J\u00e1 no painel \u201cCinema brasileiro: produ\u00e7\u00e3o em alta, salas vazias&#8221;, Bernardo Siaines, do Filme B, apresentou dados recentes do mercado e, com Lu\u00eds Ciocler, CEO do Centauro Group, falou sobre os desafios de ampliar a presen\u00e7a do cinema nacional no circuito comercial, equilibrando diversidade de produ\u00e7\u00e3o, estrat\u00e9gias de lan\u00e7amento e ocupa\u00e7\u00e3o de salas.<\/p>\n<p>\u201cA gente teve diversas premia\u00e7\u00f5es incr\u00edveis nos dois anos passados, com Ainda Estou Aqui, O Agente Secreto, O \u00daltimo Azul. A gente teve uma proje\u00e7\u00e3o internacional de cr\u00edtica, principalmente, muito forte, talvez in\u00e9dita para o Brasil. Ok, esses filmes foram bem, tiveram bastante p\u00fablico, mas de uma forma geral, essa proje\u00e7\u00e3o internacional do pa\u00eds l\u00e1 fora n\u00e3o se traduziu em sucesso de p\u00fablico no mercado interno&#8221;, disse Siaines.<\/p>\n<p>Segundo ele, a distribui\u00e7\u00e3o se tornou mais barata, no sentido de n\u00e3o necessitar mais de transporte f\u00edsico dos filmes at\u00e9 as salas, mas segue precisando de intelig\u00eancia e gente capacitada. \u201cE gente inteligente e gente capacitada custa dinheiro. Ent\u00e3o vira uma bola de neve, porque um filme mal distribu\u00eddo, que n\u00e3o gera nenhum buzz, que as pessoas n\u00e3o est\u00e3o ouvindo falar, exibidor nenhum vai querer programar. Claro, voc\u00ea n\u00e3o vai querer botar no seu cinema um filme que ningu\u00e9m quer saber, que ningu\u00e9m conhece. Isso pode ser elementar, mas \u00e0s vezes parece que n\u00e3o \u00e9&#8221;, completou.<\/p>\n<p>Para Ciocler, parte dos recursos do FSA deveria ser destinado para a divulga\u00e7\u00e3o dos filmes. Al\u00e9m disso, seria necess\u00e1rio repensar os tributos sobre as salas e desonerar algumas a\u00e7\u00f5es. \u201cExibidor \u00e9 a classe mais resiliente e otimista que eu conhe\u00e7o. Eles est\u00e3o sempre esperando que chegue um novo filme que vai trazer um p\u00fablico excepcional e que vai pagar n\u00e3o as contas dos investimentos que eles t\u00eam que fazer, mas o que j\u00e1 ficou para tr\u00e1s. Ent\u00e3o est\u00e3o sempre apostando em bilheterias. O exibidor n\u00e3o teria nenhum tipo de relut\u00e2ncia em cobrir uma cota de tela se o filme estivesse performando bem. Mas quando o filme n\u00e3o performa bem, muitas vezes, o que a gente percebe na pr\u00e1tica \u00e9 que voc\u00eas t\u00eam um conte\u00fado de filme nacional sendo produzido com dinheiro p\u00fablico sendo exibido em sala vazia. O exibidor assume um risco enorme.\u201d<\/p>\n<p>Marcelo Lima, CEO da Tonks e gestor do Cine Marquise, refor\u00e7ou o alerta durante o painel seguinte. \u201cNo Brasil, o produtor tem 0% de risco, o distribuidor tem 50% a 60%, e o exibidor tem 100% de risco. Cada um dos exibidores aqui tem alguma d\u00edvida com o Fundo Setorial hoje, que paga parcelas com juros. Se n\u00e3o paga, entra no Serasa. E a\u00ed a gente n\u00e3o consegue pegar mais cr\u00e9dito para pagar a pr\u00f3pria parcela. E entra num ciclo vicioso que cada vez piora a situa\u00e7\u00e3o do exibidor.\u201d<\/p>\n<p>Lima apresentou um levantamento feito por ele em parceria com a jornalista e cineasta Rosi Papi, sobre os modelos de sustentabilidade do mercado de cinema na Fran\u00e7a, Coreia do Sul, \u00cdndia, Nig\u00e9ria e Brasil. No mesmo painel, Pablo Billard, CEO da Cin\u00e9polis Brasil, falou sobre a experi\u00eancia na Indon\u00e9sia. L\u00e1, 60% do conte\u00fado das salas de cinema \u00e9 local, \u00edndice conquistado ao longo dos anos, gra\u00e7as a, segundo ele, um alto senso de coletividade da popula\u00e7\u00e3o. \u201cEles s\u00e3o 90% mu\u00e7ulmanos. Isso tamb\u00e9m explica esse poder, porque 90% da popula\u00e7\u00e3o acredita na mesma coisa. Ent\u00e3o, quando o filme conecta e eles acham o caminho para um filme que \u00e9 local, que as pessoas querem ver, eles abra\u00e7am&#8221;, explicou Billard.<\/p>\n<p>Apoio e forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico<\/p>\n<p>O terceiro dia do Semin\u00e1rio come\u00e7ou com um painel sobre pol\u00edticas p\u00fablicas para a exibi\u00e7\u00e3o, com Andr\u00e9 Ricardo Araujo Virgens, coordenador-geral de Pol\u00edticas para Difus\u00e3o e Internacionaliza\u00e7\u00e3o Audiovisual do Minist\u00e9rio da Cultura, Jack Silva, CEO da Movieland Cinemas e presidente da Aexib, e Patr\u00edcia Barcelos, diretora da Ag\u00eancia Nacional do Cinema (Ancine).<\/p>\n<p>Araujo e Patricia apresentaram os mecanismos do MinC e da Ancine que possibilitam apoio ao setor audiovisual, bem como resultados dos \u00faltimos anos, com destaque para o Plano de Diretrizes e Metas (PDM), aprovado em fevereiro pelo Conselho Superior de Cinema.<\/p>\n<p>O PDM 2026\u20132035 est\u00e1 organizado em oito eixos estrat\u00e9gicos: 1) Gest\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o social; 2) Desenvolvimento econ\u00f4mico e regula\u00e7\u00e3o; 3) Financiamento; 4) Educa\u00e7\u00e3o e trabalho; 5) Produ\u00e7\u00e3o, linguagens, segmentos e modos de fazer; 6) Difus\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o; 7) Patrim\u00f4nio, Mem\u00f3ria e Preserva\u00e7\u00e3o Audiovisual; 8) Internacionaliza\u00e7\u00e3o do audiovisual. Segundo Patr\u00edcia, a Secretaria do Audiovisual (SAv) e a Ancine agora devem olhar para essas metas e indicadores e trabalhar as a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e o tempo de implementa\u00e7\u00e3o de cada uma.<\/p>\n<p>Especificamente sobre o eixo de difus\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o, ela explicou que a Ancine faz hoje um trabalho direto com financiamento \u00e0s distribuidoras e que foi aprovado um edital espec\u00edfico de comercializa\u00e7\u00e3o via SAv. \u201cE eu entendo que \u00e9 uma pauta important\u00edssima n\u00e3o s\u00f3 fazer o financiamento da distribui\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o, mas avan\u00e7ar no processo de entender a forma de comunica\u00e7\u00e3o hoje para a sociedade. N\u00e3o est\u00e1 dissociada da forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico uma a\u00e7\u00e3o mais efetiva de marketing, observando como ele se relaciona hoje, as mudan\u00e7as nos h\u00e1bitos de consumo, como funcionam as redes sociais, como trabalhar a rela\u00e7\u00e3o entre as salas de cinema e os filmes. Hoje temos experi\u00eancia e instrumentos para fazer isso, mas depende fundamentalmente de uma a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do mercado, dele olhar para essa rela\u00e7\u00e3o direta com o p\u00fablico. Ent\u00e3o \u00e9 ter uma a\u00e7\u00e3o complementar entre Estado e mercado&#8221;, afirmou a diretora da Ag\u00eancia.<\/p>\n<p>J\u00e1 o presidente da Aexib falou sobre os desafios da Associa\u00e7\u00e3o e da import\u00e2ncia de pensar na manuten\u00e7\u00e3o das salas de cinema j\u00e1 existentes, al\u00e9m de ampliar o parque exibidor. \u201cN\u00e3o tem como falar de expans\u00e3o sem falar de manuten\u00e7\u00e3o\u201d, disse, alertando para o fato de que os recursos federais n\u00e3o est\u00e3o chegando a todos os exibidores. \u201cA gente tem um hist\u00f3rico de a\u00e7\u00f5es realizadas nos \u00faltimos anos, como a LPG, mas nem todas chegaram a todos os exibidores. N\u00e3o pelo governo federal, mas pelos estaduais, que distorceram algumas quest\u00f5es e n\u00e3o abra\u00e7aram os exibidores como deveriam\u201d, afirmou Silva.<\/p>\n<p>Segundo ele, a maior concorr\u00eancia entre cinemas p\u00fablicos e privados \u00e9 quando se trata de recursos. \u201cH\u00e1 recursos para cineclubes e para as salas p\u00fablicas, que t\u00eam a sua import\u00e2ncia, mas fazem um trabalho diferente das salas privadas. \u00c9 preciso alinhar o trabalho para uma atua\u00e7\u00e3o em conjunto. Que haja um trabalho de forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico, mas que esse p\u00fablico possa depois frequentar as salas privadas\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>Forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico foi o tema do painel seguinte, que reuniu Duarte Dias, assessor de gest\u00e3o cultural e art\u00edstica do Cine Teatro S\u00e3o Luiz (Fortaleza\/CE) e Viviane Ferreira, cofundadora do Instituto Audiovisual Mulheres de Odun, que h\u00e1 um ano inaugurou o Cine Lankiana no Quilombo do Coqueiro Grande (Salvador\/BA).<\/p>\n<p>Para Viviane, faz muita diferen\u00e7a quando o p\u00fablico se sente parte e part\u00edcipe da sala. Por isso, no Cine Lankiana buscam criar um senso de pertencimento da comunidade em rela\u00e7\u00e3o ao cinema. E isso, segundo ela, n\u00e3o est\u00e1 diretamente relacionado a gostar ou n\u00e3o do conte\u00fado apresentado. \u201cA gente n\u00e3o convida as pessoas para gostarem dos filmes que est\u00e3o sendo exibidos. A gente conversa com elas para criar o h\u00e1bito de ir ver o filme inclusive para n\u00e3o gostar dele. A experi\u00eancia de estar na sala de cinema e conversar sobre o conte\u00fado visto ali, seja ele qual for, \u00e9 importante tamb\u00e9m&#8221;, explicou. E para isso, eles usam o mote da fofoca. \u201cA gente se junta para falar de quem a gente n\u00e3o gosta, ent\u00e3o tamb\u00e9m podemos nos juntar para criticar um filme. Dizemos que quando voc\u00ea fofoca sobre o filme, voc\u00ea aprimora o trabalho de quem faz\u201d, completou a cineasta.<\/p>\n<p>J\u00e1 Duarte explicou que o S\u00e3o Luiz \u00e9 cadastrado na Ancine como cinema cultural, o que caracteriza dar prioridade para sess\u00f5es gratuitas e, nas sess\u00f5es pagas, priorizar distribuidoras brasileiras e independentes locais. \u201cAgimos n\u00e3o como advers\u00e1rio do setor privado, mas como escala complementar, at\u00e9 porque n\u00e3o exibimos os mesmos filmes do circuito comercial\u201d, contou.<\/p>\n<p>Para ele, os p\u00fablicos infantil e infanto-juvenil s\u00e3o a base para cria\u00e7\u00e3o de cultura para o cinema nacional, mas esse potencial estrat\u00e9gico ainda \u00e9 pouco aproveitado. \u201cCinco por cento do total de filmes lan\u00e7ados em 2025 foram para o p\u00fablico infanto-juvenil, sendo eles respons\u00e1veis por 22% do p\u00fablico do cinema brasileiro no ano. Em termos de bilheteria, 20% foi para esses filmes. Ent\u00e3o acho que a gente est\u00e1 diante de uma oportunidade, considerando que, segundo dados do IBGE, tivemos mais de 25 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes fazendo o Ensino Fundamental. E considerando tamb\u00e9m que elas geralmente n\u00e3o v\u00e3o ao cinema sozinhas. Ent\u00e3o acho que h\u00e1 oportunidade, ao mesmo tempo em que h\u00e1 v\u00e1cuo de produ\u00e7\u00e3o para dialogar com esse p\u00fablico, que est\u00e1 constantemente sendo abastecido por conte\u00fado estrangeiro.\u201d<\/p>\n<p>Distribui\u00e7\u00e3o, VOD e novas tecnologias<\/p>\n<p>Alguns agentes do mercado acumulam a experi\u00eancia de atuar simultaneamente na exibi\u00e7\u00e3o e na distribui\u00e7\u00e3o de filmes, e esse foi o assunto do painel \u201cQuando exibi\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o caminham juntas\u201d, que contou com a participa\u00e7\u00e3o de Adriana Rattes, diretora executiva e s\u00f3cia-fundadora do Grupo Esta\u00e7\u00e3o, Jean Thomas, fundador da Reserva Cultural e da Imovision, e Pedro Rosis, gerente de Programa\u00e7\u00e3o do Belas Artes.<\/p>\n<p>Adriana afirmou que exibi\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o t\u00eam sempre que andar juntos. \u201cQuando isso n\u00e3o acontece, d\u00e1 ruim&#8221;, sentenciou. Ela defendeu a import\u00e2ncia de que os tr\u00eas elos da cadeia audiovisual sejam independentes, por\u00e9m articulados, com pesos e poder semelhantes. No caso do Esta\u00e7\u00e3o, foi um grupo de amigos cin\u00e9filos que abriu a sala e, depois, sentiu a necessidade de ter uma distribuidora. \u201cA gente abriu a sala de cinema e depois a gente fez um festival pra trazer mais filmes para o Brasil. E a gente depois descobriu que precisava ter uma distribuidora para comprar filme, para conseguir trazer mais filmes para exibir. O Jean precisava de uma sala, a gente precisava de uma distribuidora.\u201d<\/p>\n<p>Segundo ela, esse \u00e9 um modelo comum para quem trabalha com cinema independente ao redor do mundo. \u201cE voc\u00ea tamb\u00e9m ser distribuidor te ajuda a regular a programa\u00e7\u00e3o da sua sala, a multiplicar as fontes de recursos. Normalmente, programadores e propriet\u00e1rios de salas de cinema independentes s\u00e3o muito cin\u00e9filos, querem ver mais programa\u00e7\u00e3o. Gostam dessa brincadeira de escolher filmes. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 programar aquilo que est\u00e1 ofertado no mercado e que tem mais possibilidades de sucesso, mas tamb\u00e9m pensar como \u00e9 que voc\u00ea alimenta esse ambiente, esse p\u00fablico que \u00e9 cin\u00e9filo. O que voc\u00ea precisa mostrar? O que \u00e9 relevante? O que pode virar tend\u00eancia? Ter uma distribuidora ajuda nisso.\u201d<\/p>\n<p>Ainda no terceiro dia de evento, outro assunto que norteou um dos pain\u00e9is foi os impactos do VOD para o cinema brasileiro. A conversa foi com o diretor da Ancine Paulo Alcoforado, a deputada estadual Ol\u00edvia Santana e a pesquisadora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) K\u00e1tia Morais.<\/p>\n<p>K\u00e1tia apresentou dados de exibi\u00e7\u00e3o no Brasil e lembrou que mais de 50% dos filmes brasileiros que chegaram \u00e0s salas n\u00e3o venderam mais de mil ingressos. \u201cIsso \u00e9 um dado muito gritante para a gente compreender que ainda esbarramos no nosso problema de origem, que \u00e9 o filme nacional chegar ao grande p\u00fablico. Esse \u00e9 um ponto importante para a gente pensar como \u00e9 que vai se ocupando desses espa\u00e7os e, a partir disso, mexendo em l\u00f3gicas da produ\u00e7\u00e3o, da circula\u00e7\u00e3o e do consumo de conte\u00fados audiovisuais, pensando sobretudo em conte\u00fados brasileiros&#8221;, alertou.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m pontuou que as empresas de VOD s\u00e3o big tech transnacionais, que t\u00eam uma alta capacidade financeira e alta estrutura tecnol\u00f3gica, important\u00edssimos dentro do jogo da ind\u00fastria hoje, que \u00e9 o acesso a dados. \u201cEnt\u00e3o, as plataformas lidam com acesso aos dados e s\u00e3o capazes de fazer qualquer tipo de cruzamento com isso. A exata medida de quem consome, quanto consome, como consome, recortes regionais, recortes por faixa et\u00e1ria, recortes de renda. Isso, no contexto transnacional de m\u00eddia, \u00e9 um poder que \u00e9 maior do que qualquer outro.\u201d<\/p>\n<p>Por outro lado, o cinema continua tendo o trunfo da experi\u00eancia e isso, segundo K\u00e1tia, as plataformas n\u00e3o s\u00e3o capazes de extinguir. No entanto, ela lembrou tamb\u00e9m, \u00e9 preciso atentar ao fato de que a escolha do VOD ao cinema acontece mais por fatores econ\u00f4micos e sociais. \u201cA gente tem estudos que mostram que cerca de 60% dos consumidores, quando sabem que o filme vai para a plataforma, n\u00e3o assistem na sala de cinema. Deixam para assistir na plataforma, porque \u00e9 mais c\u00f4modo, porque tem a quest\u00e3o do valor da passagem. E a\u00ed entram em jogo quest\u00f5es de ordem econ\u00f4mica, cultural, social, uma s\u00e9rie de fatores&#8221;, apontou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Segundo Alcoforado, uma das principais quest\u00f5es em debate no Congresso \u00e9 criar um dispositivo que fixe uma janela exclusiva de exibi\u00e7\u00e3o em sala. Na Fran\u00e7a, por exemplo, o produto nacional \u00e9 explorado por 12 meses antes de ir para cat\u00e1logo em streaming. \u201cA quest\u00e3o de regula\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de fomento \u00e0 produ\u00e7\u00e3o audiovisual, que \u00e9 importante, mas \u00e9 uma quest\u00e3o de estabelecer regras de conviv\u00eancia entre pequenos, m\u00e9dios, grandes brasileiros e estrangeiros, em favor do melhor desenvolvimento do mercado audiovisual brasileiro e para a melhor circula\u00e7\u00e3o da propriedade intelectual brasileira, na melhor vers\u00e3o poss\u00edvel de um mercado de licen\u00e7as sobre conte\u00fados audiovisuais&#8221;, disse o diretor da Ancine.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois projetos de lei em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o das plataformas de streaming, um criado na C\u00e2mara dos Deputados e outro no Senado Federal. Para Alcoforado, nenhum dos dois est\u00e1 \u00e0 altura dos problemas do setor. \u201cEu acho que o deputado Dr. Luizinho (PP) ouviu, assimilou um conjunto de quest\u00f5es, e fez um projeto incomparavelmente menos nocivo do que o PL do Senado. Por exemplo, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 relativiza\u00e7\u00e3o do conceito de produtora brasileira, \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da Condecine Remessa\u2026 H\u00e1 uma cole\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es muito nocivas ao desenvolvimento do audiovisual brasileiro no PL do Senado. Ent\u00e3o, hoje, o PL da C\u00e2mara, relatado por um deputado federal do PP, do Progressistas, acho que \u00e9 um texto muito melhor do que o que est\u00e1 no Senado.\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 Ol\u00edvia lembrou que, para que esses projetos tenham os encaminhamentos adequados ao setor, \u00e9 necess\u00e1rio haver mobiliza\u00e7\u00e3o. \u201cNem toda briga o governo consegue comprar, sobretudo se n\u00e3o tem uma base social ampla, articulada, que v\u00e1 pra cima pra dar o respaldo necess\u00e1rio&#8221;, disse a deputada.<\/p>\n<p>O \u00faltimo painel da sexta-feira foi sobre novos modelos de opera\u00e7\u00e3o das salas, tecnologia, custos e estrat\u00e9gias de marketing, a partir do exemplo da OrionPC, representada pelo s\u00f3cio Rog\u00e9rio Silveira, e do Cine Roxy, com o diretor Maur\u00edlio Moriyama. Eles falaram sobre loca\u00e7\u00e3o de projetores, redu\u00e7\u00e3o de custos operacionais e o uso estrat\u00e9gico do lobby como espa\u00e7o de comunica\u00e7\u00e3o e ativa\u00e7\u00e3o de p\u00fablico.<\/p>\n<p>Silveira defendeu que os exibidores se inspirem pelos exemplos do varejo quando o assunto for comunica\u00e7\u00e3o com o consumidor, para conquistar mais sucesso na ponta. \u201cAinda temos muito potencial para explorar no consumidor que est\u00e1 dentro da sala de cinema&#8221;, disse, refor\u00e7ando ainda que a comunica\u00e7\u00e3o no cinema pode ajudar a alavancar as vendas de outros produtos al\u00e9m do ingresso, e isso pode ser feito a partir do uso das tecnologias j\u00e1 dispon\u00edveis e acess\u00edveis, como os pain\u00e9is de LED no lobby e nos pontos de autoatendimento.<\/p>\n<p>\u201cOs ATMs aumentaram as vendas de tickets em salas de classes D e E e tamb\u00e9m de vendas de bombonieres&#8221;, disse Moriyama, que no Cine Roxy utiliza o servi\u00e7o de loca\u00e7\u00e3o de projetores oferecido pela OrionPC em parceria com a Christie &#8211; programa in\u00e9dito no mercado de cinema mundial. Esse modelo diminui consideravelmente os custos e permite que salas menores possam ter tecnologias mais avan\u00e7adas.<\/p>\n<p>No entanto, a moderniza\u00e7\u00e3o \u00e9 relevante por si s\u00f3, mas n\u00e3o garante resultado de p\u00fablico. \u201c\u00c9 importante comunicar a moderniza\u00e7\u00e3o&#8221;, explicou Silveira. \u201cPorque nem todo cliente entende quando a tecnologia \u00e9 substitu\u00edda. E tamb\u00e9m trabalhar na reconex\u00e3o com o espectador, para recriar o h\u00e1bito de ir ao cinema, porque hoje o cinema n\u00e3o compete s\u00f3 com o VOD. E a tecnologia \u00e9 parte disso. Os exibidores est\u00e3o buscando oferecer a melhor experi\u00eancia dentro da sala, para que valha a pena ir&#8221;, completou.<\/p>\n<p>Experi\u00eancias internacionais<\/p>\n<p>O s\u00e1bado come\u00e7ou com a apresenta\u00e7\u00e3o de um case de sucesso do cinema indiano. Uma das maiores ind\u00fastrias cinematogr\u00e1ficas do mundo, o pa\u00eds consegue manter uma forte rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica entre produ\u00e7\u00e3o local e p\u00fablico, contribuindo para a vitalidade das salas de cinema locais.<\/p>\n<p>O painel contou com a presen\u00e7a de Naveen KL, fundador e CEO da Breaking Glass Entertainments, e Jos\u00e9 Eduardo Ferr\u00e3o, CEO da Auwe. KL contou que cerca de 1.800 filmes s\u00e3o produzidos por ano na \u00edndia, tr\u00eas vezes mais do que em Hollywood, e que 90% do conte\u00fado exibido nas salas de cinema do pa\u00eds s\u00e3o nacionais. \u201cN\u00f3s, indianos, amamos muito hist\u00f3rias. E temos um conte\u00fado muito rico de hist\u00f3rias indianas, ent\u00e3o a gente acaba priorizando esse conte\u00fado nacional&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O pa\u00eds conta com mais 19.500 telas de exibi\u00e7\u00e3o, com uma receita anual de bilheteria de R$ 7,68 bilh\u00f5es. Mas at\u00e9 uma d\u00e9cada atr\u00e1s, o cen\u00e1rio era diferente. Havia uma barreira lingu\u00edstica, j\u00e1 que s\u00e3o 20 idiomas falados na \u00cdndia e os filmes n\u00e3o circulavam nem dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds. Isso s\u00f3 mudou quando o diretor SS Rajamouli lan\u00e7ou um longa-metragem sem di\u00e1logos (Eega) que fez muito sucesso n\u00e3o apenas entre os indianos, mas abriu as portas do mundo para novas produ\u00e7\u00f5es nacionais.<\/p>\n<p>Em sua apresenta\u00e7\u00e3o, KL mostrou v\u00eddeos de salas de cinema na \u00cdndia, onde os espectadores &#8211; ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses &#8211; interagem fortemente com o filme, cantando, dan\u00e7ando, tomando lugar na frente da tela. Tamb\u00e9m mostrou como a emo\u00e7\u00e3o gerada pelos filmes indianos tem capturado plateias nos EUA. \u201cIdioma n\u00e3o \u00e9 uma barreira, desde que se trate o filme como original em qualquer lugar.\u201d<\/p>\n<p>O executivo tamb\u00e9m falou sobre o que, a seu ver, \u00e9 o verdadeiro poder do exibidor: o que ele pode controlar. Ou seja, a sensa\u00e7\u00e3o que a sala de cinema oferece, a temperatura, o conforto da poltrona, a recep\u00e7\u00e3o, o som. \u201cO exibidor n\u00e3o pode controlar o conte\u00fado, mas pode controlar a experi\u00eancia dentro do cinema. E tornar ir ao cinema um h\u00e1bito, independentemente do filme que est\u00e1 em cartaz&#8221;, disse.<\/p>\n<p>E seguindo no interc\u00e2mbio internacional, o painel seguinte trouxe exemplos de como funciona o mercado na Coreia do Sul e na Fran\u00e7a, a partir das experi\u00eancias de Sandrine dos Santos, diretora da Alian\u00e7a Francesa Bahia, e Nicolas Piccato, adido audiovisual da Fran\u00e7a no Brasil &#8211; ele que j\u00e1 morou na Coreia do Sul.<\/p>\n<p>Piccato contou que a Coreia do Sul, que tem cerca de 50 milh\u00f5es de habitantes, havia 3.300 salas de cinema pr\u00e9-pandemia. Muitas foram fechadas, mas est\u00e3o sendo reabertas pouco a pouco. Na Fran\u00e7a, que tem aproximadamente 70 milh\u00f5es de habitantes, s\u00e3o 6.300 salas. No Brasil, com mais de 200 milh\u00f5es de habitantes, h\u00e1 3.554 cinemas registrados.<\/p>\n<p>\u201cEm 2003, na Coreia, houve a batalha pela cota de tela, e a\u00ed come\u00e7ou a paix\u00e3o dos coreanos pelo cinema nacional&#8221;, disse o adido. O modelo do Centro Nacional de Cinema (CNC) foi exemplo de pol\u00edtica para o pa\u00eds asi\u00e1tico. O CNC foi criado na Fran\u00e7a ap\u00f3s a Segunda Guerra, com a proposta de ocupar as salas de cinema como espa\u00e7os de socializa\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 um modelo de solidariedade industrial, com dois pontos estrat\u00e9gicos: parte do valor do ingresso &#8211; de qualquer filme, de qualquer lugar do mundo &#8211; vai para a produ\u00e7\u00e3o do cinema nacional, o que acaba financiando a produ\u00e7\u00e3o local; e parte vai para a moderniza\u00e7\u00e3o das salas.\u201d<\/p>\n<p>No modelo franc\u00eas h\u00e1 ainda acordos de coprodu\u00e7\u00f5es internacionais, regulamenta\u00e7\u00e3o do streaming, valoriza\u00e7\u00e3o do cinema de arte, incentivo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico, e 70% do conte\u00fado das salas \u00e9 europeu (n\u00e3o s\u00f3 franc\u00eas). \u201c\u00c9 importante apoiar o cinema de arte, assim como \u00e9 importante educar para a ida ao cinema. Uma coisa que a gente esquece \u00e9 que, no cinema, as coisas que est\u00e3o acontecendo na tela s\u00e3o maiores do que as pessoas. Em todas as outras telas as coisas s\u00e3o menores. Ent\u00e3o, o cinema \u00e9 uma aventura coletiva que n\u00e3o \u00e9 \u00fanica, mas esse valor \u00e9 importante\u201d, lembrou o adido franc\u00eas.<\/p>\n<p>A democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao cinema foi o tema do painel que se seguiu, com Nilson Rodrigues, fundador do Cine Cultura Liberty Mall, e Andr\u00e9 Ricardo Araujo Virgens, coordenador-Geral de Pol\u00edticas para Difus\u00e3o e Internacionaliza\u00e7\u00e3o Audiovisual do MinC.<\/p>\n<p>Rodrigues reafirmou que, para haver mudan\u00e7a de h\u00e1bito, \u00e9 necess\u00e1rio ter programas consistentes de forma\u00e7\u00e3o de plateia, mas tamb\u00e9m programas para manter e ampliar o n\u00famero de salas. E refor\u00e7ou que pol\u00edticas voltadas a cineclubes e cinema na pra\u00e7a, por exemplo, devem ser diferentes daquelas voltadas ao acesso \u00e0s salas de cinema. \u201cN\u00f3s, exibidores, temos que exigir que uma parcela dos recursos p\u00fablicos sejam direcionados a levar o p\u00fablico \u00e0s salas de cinema. N\u00e3o tem a ver com concorr\u00eancia entre salas p\u00fablicas e privadas, mas permitir a quem nunca foi que possa ir ao cinema no shopping. Tem que ter sala p\u00fablica sim, mas sem concorrer com o privado.\u201d<\/p>\n<p>Complementando sua apresenta\u00e7\u00e3o do dia anterior, Ara\u00fajo falou sobre os eixos 4 (forma\u00e7\u00e3o) e 5 (infraestrutura, equipamentos e espa\u00e7os culturais) do Plano Nacional de Cultura, lembrando que as diferentes janelas de exibi\u00e7\u00e3o podem e devem se complementar e que se deve ampliar o circuito com p\u00fablico aproveitando estruturas j\u00e1 existentes, como centros culturais e universidades.<\/p>\n<p>\u201cO problema n\u00e3o \u00e9 a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso, n\u00e3o s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es afirmativas, n\u00e3o \u00e9 a regionaliza\u00e7\u00e3o. Digo isso porque acho que \u00e9 realmente importante a gente direcionar nossa energia n\u00e3o para falsos inimigos, mas sim para as solu\u00e7\u00f5es. Cineclube, streaming e salas de cinema s\u00e3o complementares. A rela\u00e7\u00e3o com educa\u00e7\u00e3o \u00e9 complementaridade dentro de um sistema que deve ser entendido a partir das suas especificidades, mas de forma complementar, e n\u00e3o de forma a visualizar o outro como um inimigo. Muito pelo contr\u00e1rio. Acho que \u00e9 tentar entender a converg\u00eancia desse sistema dentro dos elos da cadeia do arranjo produtivo e dentro dos segmentos que comp\u00f5em ele&#8221;, defendeu Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>Rodrigues explicou que foi feita ao Senado uma proposta do Vale Cinema, que garantiria ingressos a R$ 12, sendo que R$ 6 ficariam para o exibidor, R$ 3 para o distribuidor e R$ 3 para o produtor. \u201cCustaria ao governo R$ 120 milh\u00f5es para levar 12 milh\u00f5es de brasileiros ao cinema, diretamente com as salas que j\u00e1 est\u00e3o em atividade&#8221;, explicou. E defendeu que qualquer recurso p\u00fablico que seja destinado \u00e0s salas deve estar vinculado \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do p\u00fablico. \u201cPara n\u00e3o repetir o v\u00edcio das pol\u00edticas para a produ\u00e7\u00e3o, que recebe dinheiro sem ter que necessariamente garantir p\u00fablico. N\u00f3s j\u00e1 temos filmes que ningu\u00e9m assiste. A\u00ed n\u00f3s vamos ter salas de cinema abertas para p\u00fablico nenhum. A\u00ed \u00e9 o fim dos tempos, n\u00e9?\u201d.<\/p>\n<p>Articula\u00e7\u00e3o e estrat\u00e9gia<\/p>\n<p>Nilson Rodrigues seguiu na pen\u00faltima mesa do s\u00e1bado, que trouxe tamb\u00e9m o ex-ministro da Cultura Juca Ferreira, atualmente assessor do BNDES, para falar sobre vis\u00f5es estrat\u00e9gicas para a cria\u00e7\u00e3o de uma ind\u00fastria audiovisual. Ferreira se uniu \u00e0 defesa de que \u00e9 necess\u00e1rio promover articula\u00e7\u00e3o e destinar recursos n\u00e3o apenas para a produ\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o se pode jogar a lata do filme pela janela e achar que vai dar certo. \u00c9 preciso promover. Essa fase \u00e9 incontorn\u00e1vel&#8221;, disse o ex-ministro.<\/p>\n<p>Ele afirmou ainda que a ind\u00fastria cultural, seja em que \u00e1rea for, s\u00f3 \u00e9 relevante se for conectada e integrada com a pol\u00edtica cultural. &#8220;E a produ\u00e7\u00e3o industrial, inevitavelmente, vai ter que pensar em mercado. A rela\u00e7\u00e3o do cinema brasileiro com o p\u00fablico tem que ser uma compreens\u00e3o de mercado. Mercado cultural n\u00e3o \u00e9 batata. \u00c9 um produto cultural que tem uma fun\u00e7\u00e3o social e carrega um significado. E esse significado \u00e9 t\u00e3o importante para a sociedade quanto a dimens\u00e3o econ\u00f4mica. Isso n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de fazer. O cinema brasileiro existe hoje no Brasil inteiro, tem uma capacidade produtiva razo\u00e1vel, conseguiu alavancar os recursos do financiamento, tem t\u00e9cnicos de qualidade, tem est\u00fadios. Voc\u00eas poder\u00e3o perguntar se s\u00e3o o suficiente. N\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o o suficiente. Mas \u00e9 a base para estruturar uma pol\u00edtica industrial.\u201d<\/p>\n<p>Fechando a noite, Paulo Alcoforado voltou \u00e0 mesa, acompanhado do cineasta, pesquisador e gestor cultural Alfredo Manevy, e de Cl\u00e1udio Marques, diretor do Cine Glauber Rocha, para falar sobre como articular o circuito existente para ampliar a circula\u00e7\u00e3o do cinema brasileiro.<\/p>\n<p>Marques acredita que \u00e9 preciso cuidar para que as salas j\u00e1 existentes n\u00e3o sejam fechadas, mais do que se preocupar em abrir novas salas. \u201cN\u00f3s temos uma quantidade grande de salas de cinema que pode fechar. Na verdade as salas de cinema est\u00e3o fechando. Nos nossos grupos, a gente recebe quase que semanalmente not\u00edcias de salas fechando, seja em shopping, seja cinema de rua. E eu costumo defender que a gente precisa seduzir, trazer o exibidor brasileiro para perto do cinema brasileiro. A gente n\u00e3o pode simplesmente fazer como a gente est\u00e1 fazendo hoje, que \u00e9 exigir que ele exiba o cinema brasileiro sem ter alguma contrapartida, uma devida repara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica caso o filme n\u00e3o tenha um bom desempenho comercial.\u201d<\/p>\n<p>Manevy disse que, no macro, sente-se aliado \u00e0 ideia da necessidade de uma pol\u00edtica de exibi\u00e7\u00e3o no Brasil, e concorda com a ideia de que, mais do que construir novos equipamentos, deve-se aproveitar os j\u00e1 existentes &#8211; como os CEUs. Mas questiona: como \u00e9 poss\u00edvel formar mercado sem p\u00fablico? \u201cAcho que isso \u00e9 invi\u00e1vel. Formar p\u00fablico \u00e9 uma pol\u00edtica tamb\u00e9m de mercado, n\u00e3o s\u00f3 social. Sem p\u00fablico n\u00e3o tem bilhete, n\u00e3o tem desenvolvimento econ\u00f4mico.\u201d<\/p>\n<p>Para ele, manter circuito p\u00fablico n\u00e3o inviabiliza tamb\u00e9m apoiar pol\u00edticas p\u00fablicas para os exibidores privados. \u201cHoje o problema n\u00e3o \u00e9 dinheiro, \u00e9 falta de pol\u00edtica, falta de crit\u00e9rio, planejamento, dividir direito o dinheiro. \u00c9 importante apoiar o circuito p\u00fablico, onde o privado n\u00e3o tem como investir&#8221;, explicou, sugerindo uma alian\u00e7a entre exibidores p\u00fablicos e privados para, juntos, apresentarem um projeto a ser apoiado pelo governo. \u201cHistoricamente, quem fez a pol\u00edtica audiovisual no Brasil foram os criadores, os produtores. Mas se encaixar uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica da exibi\u00e7\u00e3o, com olhar social, econ\u00f4mico e cultural, a exibi\u00e7\u00e3o \u00e9 mais potente do que a produ\u00e7\u00e3o e vira o jogo. Faz falta a exibi\u00e7\u00e3o estar na mesa&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p>Alcoforado lembrou que n\u00e3o existe nenhum mercado de exibi\u00e7\u00e3o maduro no mundo em que o produto nacional n\u00e3o ocupe um espa\u00e7o relevante, e identificou como os dois problemas principais do segmento de salas de cinema: um pa\u00eds do tamanho do Brasil n\u00e3o pode ter apenas 3.500 salas, mas o problema mais urgente s\u00e3o os vazios nas salas durante as sess\u00f5es dos filmes brasileiros.<\/p>\n<p>\u201cConcordo que as pol\u00edticas p\u00fablicas para a exibi\u00e7\u00e3o hoje s\u00e3o insuficientes, mas o olhar para o exibidor n\u00e3o pode ser sem contrapartida. E essa proposta tem que ser feita do setor de exibi\u00e7\u00e3o para o Estado brasileiro, com o compromisso de ampliar a presen\u00e7a da produ\u00e7\u00e3o brasileira. O que voc\u00eas podem oferecer para o cinema nacional? Eu acredito que se voc\u00eas operarem em rede, se pensarem o neg\u00f3cio de voc\u00eas em conjunto, podem ter uma condi\u00e7\u00e3o muito especial, muito melhor do ponto de vista negocial. E acho que voc\u00eas t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de convencer o governo federal e as pol\u00edticas p\u00fablicas a aportarem recursos\u201d, finalizou o diretor da Ancine.<\/p>\n<p>Premia\u00e7\u00e3o e carta dos exibidores<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos pain\u00e9is de debates, o II Semin\u00e1rio de Exibi\u00e7\u00e3o contou com apresenta\u00e7\u00e3o de line-ups da Vitrine Filmes, Filmes do Esta\u00e7\u00e3o, O2 Play e Olhar Filmes. Tamb\u00e9m foram exibidos sete filmes brasileiros e uma sess\u00e3o especial de \u201cEega&#8221;, do aclamado diretor indiano S.S. Rajamouli. As produ\u00e7\u00f5es nacionais concorriam a uma premia\u00e7\u00e3o de R$ 15 mil, oferecida pelo Projeto Paradiso, al\u00e9m da garantia de exibi\u00e7\u00e3o em pelo menos 50 salas de cinema por todo o Brasil, dos associados da Aexib. O filme vencedor deste ano foi a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Yellow Cake (Olhar Filmes), de Tiago Melo.<\/p>\n<p>Ano passado, O \u00daltimo Azul (Vitrine Filmes), de Gabriel Mascaro, foi o escolhido, chegando a mais de 150 salas e ultrapassando 220 mil espectadores. \u201cOs filmes acabam despertando interesse dos exibidores e esse \u00e9 um dos objetivos do Semin\u00e1rio: conectar e formar um circuito vasto de exibi\u00e7\u00e3o de cinema brasileiro, a partir das salas j\u00e1 existentes&#8221;, falou Cl\u00e1udio Marques.<\/p>\n<p>Como principal resultado imediato das conversas em Salvador, a organiza\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio fez a leitura de uma carta que ser\u00e1 enviada \u00e0 Ministra da Cultura, ao Conselho Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual e \u00e0 Diretoria Colegiada da Ancine, com reivindica\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias para o fortalecimento do mercado exibidor e a amplia\u00e7\u00e3o do acesso ao cinema nacional. Clique aqui e confira o documento na \u00edntegra.<\/p>\n<p>Marques acredita que a busca por solu\u00e7\u00f5es equilibradas para o setor como um todo deve continuar. \u201cEu acho que a no\u00e7\u00e3o de solidariedade entre os setores precisa vigorar de fato. Creio que aprendemos bastante com outras cinematografias e acredito que tem muita coisa boa que pode ser feita e que talvez n\u00e3o seja t\u00e3o complicado para a gente.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exibidores e representantes de distribuidoras e produtoras das cinco regi\u00f5es  [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":607,"featured_media":37769,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[160],"tags":[],"class_list":["post-37768","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-2026"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.8 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>EXIBIDOR | II Semin\u00e1rio de Exibi\u00e7\u00e3o promove debates sobre integra\u00e7\u00e3o do setor audiovisual e lan\u00e7a Carta dos Exibidores - XXI 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