Ministério da Cidadania e Governo da Bahia apresentam: XV Panorama Internacional Coisa de Cinema
2019 ainda não acabou, mas quem trabalha com cultura já envelheceu uma década nesses meses. Havia um pacto, que vinha sendo construído desde 2001, após a criação da Ancine. Um marco onde se dizia com todas as letras que o audiovisual é um setor vital para o desenvolvimento do país. Ano após ano, políticas públicas foram pensadas e discutidas à exaustão. Colocadas em prática, cerca de 300 mil trabalhadores se aglutinaram e estruturaram suas vidas em torno dessa atividade. Mas, esse pacto está sendo desrespeitado, desconstruído e atacado frontalmente. A atividade audiovisual está na UTI. Apesar do sucesso nos festivais mundo afora, em 2019 muitos festivais deixaram de acontecer e muitas produções foram interrompidas. Não sabemos como será o futuro próximo de quem acreditou e se estabeleceu em torno desse acordo. Diversas produtoras estão sendo fechadas, quem pode vai embora do país ou compra uma terrinha no interior. Nesse cenário de crise, o Panorama completa sua décima quinta edição. Já é possível vê-lo como um adolescente, que sonha em destruir o Dragão da Maldade e ainda acredita em um mundo mais justo. Que quer voar alto como o Superoutro, se desprendendo da mesquinhez que o aprisiona numa sociedade medíocre. Mas, esse tempo vai passar! Passou o tempo dos militares, de Collor, de outros tantos tiranos e hipócritas. A arte fica!
Por Cláudio Marques
Os anos 2000 marcam o início de um contínuo e crescente investimento no setor audiovisual. Foi nesse momento que nasceu o Panorama Internacional Coisa de Cinema. Em 2002, aconteceu a primeira edição do festival (ainda sem nenhum investimento do governo). Naquela época, eu voltava a morar em Salvador após uma temporada em outro país. Eu já alimentava o desejo de ver e fazer cinema, de ser parte dessa comunidade na Bahia e no Brasil. Mas, tudo me parecia distante e improvável. Ao chegar na Sala Walter da Silveira lotada, sede do festival naquela primeira edição, eu encontrei na cadeira do cinema o jornal “Coisa de Cinema”, que trazia uma matéria de capa com o filme que veríamos na tela. Nada menos que “O Invasor”, de Beto Brant. Eu lembro que fui arrebatada por aquela experiência inteira (jornal + festival + filme incrível + debate). Eu percebi que poderia encontrar em minha terra o que eu estava procurando em outros lugares. Em 2009, eu me tornei coordenadora do festival e passei a lutar por sua consolidação. Em 2019, o Panorama completa quinze edições. O meu maior estímulo nessa batalha de manter o Panorama vivo, ano após ano, é saber o quanto essa experiência tão intensa que um festival proporciona pode ser transformadora para aqueles que, como eu, amam o cinema. Infelizmente, em 2019, depois de muitos avanços, o nosso setor pode sofrer forte retrocesso. Querem calar a nossa voz. Mas, isso não é possível. Mais uma vez, estaremos reunidos ao longo de oito dias de festival em defesa do cinema e da liberdade de expressão.
Por Marília Hughes