{"id":327,"date":"2014-12-12T12:23:30","date_gmt":"2014-12-12T15:23:30","guid":{"rendered":"http:\/\/coisadecinema.com.br\/cineclubegr\/?p=327"},"modified":"2014-12-12T17:59:19","modified_gmt":"2014-12-12T20:59:19","slug":"o-grande-momento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/textos\/o-grande-momento\/","title":{"rendered":"O Grande Momento (1958)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Grande Momento<\/strong><br \/>\n<em>Brasil, 80 min, 1958<\/em><br \/>\n<span style=\"text-decoration: underline;\">Dire\u00e7\u00e3o<\/span>: Roberto Santos<br \/>\n<span style=\"text-decoration: underline;\">Roteiro<\/span>: Roberto Nath e Roberto Santos<br \/>\n<span style=\"text-decoration: underline;\">Elenco<\/span>: Gianfrancesco Guarnieri (Zeca), Myriam P\u00e9rsia (\u00c2ngela), Vera Gertel (irm\u00e3 de Zeca), Jaime Barcelos (At\u00edlio), Paulo Goulart (Vit\u00f3rio), Lima Duarte e Milton Gon\u00e7alves<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\"><b>Sinopse<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\">Zeca (Gianfrancesco Guarnieri) se v\u00ea com pouco dinheiro \u00e0s v\u00e9speras de seu casamento. Longe de querer adiar \u00a0ou mesmo contar o que est\u00e1 se passando \u00e0 futura esposa, ele far\u00e1 de tudo para honrar o grande evento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Uma cidade que n\u00e3o existe mais<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO bonde, \u00c2ngela!\u201d, grita Zeca (Gianfrancesco Guarnieri) para a sua esposa (Myriam P\u00e9rsia) em um dos \u00faltimos e mais belos planos de\u00a0<i>O Grande Momento<\/i>. Estamos na S\u00e3o Paulo de 1958, em uma cidade em que Zeca, o protagonista, deixa a sua preciosa bicicleta na rua tranquilamente sem ter medo de roubos. Ser\u00e1 com essa mesma bicicleta que outro instante sublime ser\u00e1 constru\u00eddo durante a pel\u00edcula. No momento da separa\u00e7\u00e3o de Zeca com o seu mais querido e precioso bem, ele andar\u00e1 livremente, com um belo sorriso estampado em sua face, pela cidade de S\u00e3o Paulo. A S\u00e3o Paulo das bicicletas e dos bondes!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 apenas pela nostalgia que devemos apreciar o primeiro longa metragem de Roberto Santos.\u00a0<i>O Grande Momento<\/i>\u00a0\u00e9 um filme de costumes, que oscila entre um drama prolet\u00e1rio e uma com\u00e9dia pastel\u00e3o sem que se perca a unidade. \u00c9 um longa ing\u00eanuo, com um frescor absolutamente necess\u00e1rio ao cinema brasileiro daquele per\u00edodo. Temos uma carga forte de humanismo no filme. Uma \u201cbrasilidade\u201d sem imita\u00e7\u00e3o aos filmes estrangeiros em suas f\u00f3rmulas e tons. \u00c9 poss\u00edvel sentir as pessoas, entender como elas vivem com seus dramas e humores, numa cidade que n\u00e3o parava de crescer.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/cineclubegr\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/O-Grande-Momento-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-324\" alt=\"O Grande Momento 1\" src=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/cineclubegr\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/O-Grande-Momento-1.jpg\" width=\"640\" height=\"408\" srcset=\"https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/O-Grande-Momento-1.jpg 800w, https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/O-Grande-Momento-1-300x191.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Um primeiro filme com grandes atores<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>O Grande Momento<\/i>\u00a0\u00e9 o primeiro longa metragem de Roberto Santos, que possui demonstra\u00e7\u00e3o clara de dom\u00ednio de\u00a0<i>mise-en-sc\u00e8ne<\/i>\u00a0com a constru\u00e7\u00e3o de alguns belos planos durante a pel\u00edcula. Um dos pontos fortes de\u00a0<i>O Grande Momento<\/i>\u00a0est\u00e1 no elenco. O longa possui a estr\u00e9ia de alguns grandes atores que iriam marcar a hist\u00f3ria do cinema brasileiro. A come\u00e7ar pelo protagonista, vivido por Gianfrancesco Guarnieri, um not\u00e1vel ator. Seu jeito franzino, fr\u00e1gil e simples, confere personalidade e humanidade essenciais ao Zeca do bairro do Br\u00e1s, nessa S\u00e3o Paulo de 1958. Temos ainda a participa\u00e7\u00e3o de Paulo Goulart, Lima Duarte, Milton Gon\u00e7alves e outros tantos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O filme em seu tempo<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>O Grande Momento<\/i>\u00a0foi muito bem recebido pela critica \u00e0 \u00e9poca. Trigueirinho Neto escreveu que \u201c&#8230;estamos longe de confundir\u00a0<i>O Grande Momento<\/i>\u00a0que \u00e9 um filme inspirado e que nos faltava desde os tempos de Humberto Moura, com os demais do cinema brasileiro. Pelo contr\u00e1rio e levando em conta inclusive seu processo de produ\u00e7\u00e3o, libertado de v\u00ednculos industriais, dos compromissos de qualquer esp\u00e9cie, sua concep\u00e7\u00e3o bem l\u00edmpida, compreens\u00edvel atrav\u00e9s da po\u00e9tica de Roberto Santos, que realmente existe como veremos e n\u00e3o \u00e9 intelectualismo, diante desse conjunto honroso, colocamos\u00a0<i>O Grande Momento<\/i>\u00a0num plano de excep\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Oct\u00e1vio Bomfim \u201cMuito poucas vezes temos tido oportunidade de aplaudir filmes brasileiros. Com um grosso de produ\u00e7\u00e3o deploravelmente vulgar e med\u00edocre, s\u00f3 de raro em raro o cinema nacional faz jus a elogios, que n\u00e3o lhe regatearemos quando for necess\u00e1rio e merecido faz\u00ea-lo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme de Roberto Santos agradava cr\u00edticos e pensadores justamente por traduzir os anseios de um novo cinema que estava surgindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/cineclubegr\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/O-Grande-Momento-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-325\" alt=\"O Grande Momento 2\" src=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/cineclubegr\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/O-Grande-Momento-2.jpg\" width=\"638\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/O-Grande-Momento-2.jpg 886w, https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/O-Grande-Momento-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 638px) 100vw, 638px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Cinema Novo<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um novo cinema brasileiro estava por acontecer desde o in\u00edcio dos anos 50, digamos assim. Alex Vianny era um dos mais ardorosos defensores de uma simplicidade e aproxima\u00e7\u00e3o ao Neo-realismo italiano. Walter da Silveira, no Cineclube da Bahia, tamb\u00e9m apontava para caminhos semelhantes, sempre refor\u00e7ando a necessidade do surgimento de uma cinematografia que traduzisse quest\u00f5es pol\u00edticas e sociais sem que se perdesse a composi\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Rio 40 Graus<\/i>\u00a0(1955), de Nelson Pereira dos Santos, \u00e9 o marco inicial de um cinema feito sem grandes aparatos e com loca\u00e7\u00f5es ao ar livre, longe dos grandes est\u00fadios.\u00a0<i>O Grande Momento<\/i>\u00a0\u00e9 uma esp\u00e9cie de \u201cRio 40 Graus\u201d paulista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b><\/b><b>Roberto Santos<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Roberto Santos nasceu em S\u00e3o Paulo em 1928. Formou-se arquiteto, mas logo foi infectado pelo v\u00edrus do cinema. Tornou-se amigo de Nelson Pereira dos Santos no Congresso Paulista do Cinema Brasileiro, em 1952, esp\u00e9cie de marco zero do nascimento do Cinema Novo no pa\u00eds. Em 1953, foi assistente de dire\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>O Homem dos Papagaios<\/i>, de Armando Couto, uma fun\u00e7\u00e3o que ele continuaria a realizar mesmo j\u00e1 diretor renomado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem d\u00favida alguma,\u00a0<i>A Hora e A Vez de Augusto Matraga<\/i>\u00a0(1965) foi o seu longa mais importante. Foi o vencedor do I Festival de Bras\u00edlia do Cinema Brasileiro e tornou-se o representante do Brasil em Cannes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dirigiu tantos outros longas e lecionou na ECA\/ USP. Sofreu com a repress\u00e3o e censura durante os anos de chumbo. Em 1986, realizou Quincas Borba, adapta\u00e7\u00e3o do livro de Machado de Assis. O filme que foi muito mal recebido pela cr\u00edtica no Festival de Gramado. Roberto Santos faleceu logo ap\u00f3s o festival, em 1987, ainda no aeroporto de Guarulhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Por Cl\u00e1udio Marques<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Grande Momento Brasil, 80 min, 1958 Dire\u00e7\u00e3o: Roberto Santos Roteiro: Roberto Nath e Roberto Santos Elenco: Gianfrancesco Guarnieri (Zeca), Myriam P\u00e9rsia (\u00c2ngela), Vera Gertel (irm\u00e3 de Zeca), Jaime Barcelos (At\u00edlio), Paulo Goulart (Vit\u00f3rio), Lima Duarte e Milton Gon\u00e7alves Sinopse Zeca (Gianfrancesco Guarnieri) se v\u00ea com pouco dinheiro \u00e0s v\u00e9speras de seu casamento. 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