{"id":307,"date":"2014-10-20T09:21:05","date_gmt":"2014-10-20T12:21:05","guid":{"rendered":"http:\/\/coisadecinema.com.br\/cineclubegr\/?p=307"},"modified":"2014-10-20T15:41:58","modified_gmt":"2014-10-20T18:41:58","slug":"o-ultimo-trem-le-dernier-metro-1980","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/textos\/o-ultimo-trem-le-dernier-metro-1980\/","title":{"rendered":"O \u00daltimo Metr\u00f4 (Le dernier m\u00e9tro, 1980)"},"content":{"rendered":"<p><b>O \u00daltimo Metr\u00f4\u00a0<\/b>(Le dernier m\u00e9tro, 1980)<br \/>\n<em>Cor, 131 min, 35mm<\/em><br \/>\n<span style=\"text-decoration: underline;\">Diretor<\/span>:\u00a0Fran\u00e7ois Truffaut<br \/>\n<span style=\"text-decoration: underline;\">Roteiro<\/span>:\u00a0Fran\u00e7ois Truffaut, Suzanne Schiffman e Jean-Claude Grumberg<br \/>\n<span style=\"text-decoration: underline;\">Elenco<\/span>:\u00a0<a itemprop=\"url\" href=\"http:\/\/www.imdb.com\/name\/nm0000366\/?ref_=tt_ov_st\">Catherine Deneuve<\/a>,\u00a0<a itemprop=\"url\" href=\"http:\/\/www.imdb.com\/name\/nm0000367\/?ref_=tt_ov_st\">G\u00e9rard Depardieu<\/a>\u00a0e\u00a0<a itemprop=\"url\" href=\"http:\/\/www.imdb.com\/name\/nm0688497\/?ref_=tt_ov_st\">Jean Poiret<\/a><a itemprop=\"url\" href=\"http:\/\/www.imdb.com\/name\/nm0076350\/?ref_=tt_ov_st\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\"><strong>Sinopse<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">Paris, 1942. Durante a guerra, o Theatre Montmartre \u00e9 a principal casa de espet\u00e1culos dos franceses, naqueles dif\u00edceis tempos de guerra. O teatro \u00e9 dirigido por Lucas Steiner (Heinz Bennent), um bem sucedido empres\u00e1rio judeu, que supostamente encontra-se fora do Pa\u00eds. Na aus\u00eancia de Lucas, sua esposa Marion (Catherine Deneuve), dirige o teatro. Ela contrata para a nova pe\u00e7a o ator Bernard Granger (G\u00e9rard Depardieu). Para dirigi-lo em cena, Marion se socorre das orienta\u00e7\u00f5es de seu marido, que, na verdade, est\u00e1 escondido no por\u00e3o do teatro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fran\u00e7ois Truffaut, o cineasta mais conhecido da Nouvelle Vague francesa junto com Jean-Luc Godard, tinha como meta realizar trinta filmes e depois planejava dedicar-se \u00e0 literatura. <b>O \u00daltimo Metr\u00f4<\/b> foi o vig\u00e9simo quarto filme, incluindo os curtas e as obras coletivas, de um diretor que lan\u00e7ou seu primeiro longa metragem, <b>Os Incompreendidos<\/b>, um pouco mais de vinte anos antes em 1959. Por\u00e9m, Truffaut temia que pudesse ser seu \u00faltimo, caso fosse um fracasso comercial como os dois anteriores, <b>O Quarto Verde<\/b> (1978) e <b>Amor em Fuga<\/b> (1979).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato,\u00a0 em uma \u00e9poca na Fran\u00e7a quando as emissoras de televis\u00e3o n\u00e3o tinham a obriga\u00e7\u00e3o de financiar o cinema e onde n\u00e3o existia ainda financiamento p\u00fablico de porte, Truffaut tinha criado um sistema \u00fanico pelo qual produzia seus pr\u00f3prios filmes com a receita das obras anteriores e a venda dos direitos de distribui\u00e7\u00e3o aos est\u00fadios americanos, geralmente a Warner ou a United Artists. Esse esquema que lhe assegurava independ\u00eancia criativa total, lhe obrigava tamb\u00e9m a encontrar um p\u00fablico razo\u00e1vel, sen\u00e3o com cada produ\u00e7\u00e3o, pelo menos de uma forma regular. No final, <b>O \u00daltimo Metr\u00f4<\/b> foi um grande sucesso popular no mundo inteiro e na Fran\u00e7a reuniu mais de tr\u00eas milh\u00f5es de espectadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/cineclubegr\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/O-\u00daltimo-Metr\u00f4-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-305\" alt=\"O \u00daltimo Metr\u00f4 2\" src=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/cineclubegr\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/O-\u00daltimo-Metr\u00f4-2-1024x750.jpg\" width=\"689\" height=\"504\" srcset=\"https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/O-\u00daltimo-Metr\u00f4-2-1024x750.jpg 1024w, https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/O-\u00daltimo-Metr\u00f4-2-300x219.jpg 300w, https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/O-\u00daltimo-Metr\u00f4-2.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 689px) 100vw, 689px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cr\u00edtica, por\u00e9m, foi feroz com o filme e acusou Truffaut de ter tra\u00eddo os princ\u00edpios da Politica dos Autores que ele mesmo proclamou em 1954 na revista Arts contra certa forma de academismo. Para muitos cr\u00edticos, a hist\u00f3ria da dona de um teatro parisiense (interpretada por Catherine Deneuve) lutando pela sobreviv\u00eancia na Fran\u00e7a ocupada pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, e escondendo seu marido judeu (Heinz Bennent) no por\u00e3o do teatro, era uma obra impessoal, sem a fantasia de <b>A Carro\u00e7a Dourada,<\/b> de Jean Renoir, que Truffaut admirava profundamente e que retratava tamb\u00e9m a vida de um grupo de teatro, e sem as reflex\u00f5es sobre a arte que <b>A Noite Americana<\/b>, sua pel\u00edcula sobre uma filmagem que lhe rendeu um Oscar em 1974, contemplava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, <b>O \u00daltimo Metr\u00f4<\/b> \u00e9 uma obra mais pessoal do que parece e a cr\u00edtica demorou muitos anos para reconhecer esse aspecto. Adolescente durante a Segunda Guerra Mundial, h\u00e1 muitos anos Truffaut tinha o projeto de fazer um filme sobre este per\u00edodo, n\u00e3o de ponto de vista da hist\u00f3ria e dos seus grandes dramas, e sim contando o cotidiano dos franceses durante a ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3, um cotidiano bem menos her\u00f3ico do que se falava. O que Truffaut observou foi que a Fran\u00e7a ocupada n\u00e3o era divida entre os franceses colaborando com os alem\u00e3s (\u201cLes Collabos\u201d na g\u00edria popular) e os guerrilheiros da Resist\u00eancia, mas viveu em um clima mais tranquilo e mais complexo feito de pequenos arranjos, de trai\u00e7\u00f5es discretas e de compromissos convenientes. Por\u00e9m, s\u00f3 nos anos setenta, ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do livro do americano Robert Paxton sobre esse per\u00edodo (\u201cVichy\u2019s France \u2013 1972) e do lan\u00e7amento do filme de Louis Malle (\u201cLacombe Lucien\u201d \u2013 1974), os franceses come\u00e7aram a enxergar um passado mais cinzento do que a hist\u00f3ria oficial. Aconteceu tamb\u00e9m que pouco antes de filmar, Truffaut tinha descoberto que seu pai, sumido h\u00e1 muito anos, era um judeu que a fam\u00edlia conservadora da sua m\u00e3e rejeitou.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/cineclubegr\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/O-\u00daltimo-Metr\u00f4-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-304\" alt=\"O \u00daltimo Metr\u00f4 3\" src=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/cineclubegr\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/O-\u00daltimo-Metr\u00f4-3-1024x729.jpg\" width=\"675\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/O-\u00daltimo-Metr\u00f4-3-1024x729.jpg 1024w, https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/O-\u00daltimo-Metr\u00f4-3-300x213.jpg 300w, https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/O-\u00daltimo-Metr\u00f4-3.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 675px) 100vw, 675px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O \u00daltimo Metr\u00f4<\/b> fazia parte tamb\u00e9m de um projeto de trilogia sobre as artes que Truffaut tinha iniciado com <b>A Noite Americana<\/b> e sua vis\u00e3o do cinema, e que devia ser encerrado com <b>A Ag\u00eancia M\u00e1gica<\/b> sobre o mundo dos cabar\u00e9s mas que sua doen\u00e7a fatal n\u00e3o lhe deu tempo de dirigir. Na verdade, era um pouco ir\u00f4nico que Truffaut tenha resolvido retratar o universo do teatro j\u00e1 que era do conhecimento de todos que n\u00e3o gostava de assistir pe\u00e7as. Ele costumava dizer que nunca poderia dirigir uma pe\u00e7a de teatro porque odiava a id\u00e9ia de orientar atores na frente dos outros e gostava da rela\u00e7\u00e3o exclusiva de cumplicidade com eles que o cinema lhe proporcionava. Talvez por esse motivo, percebeu que seus atores ficavam nervosos antes da filmagem e enviou uma carta para eles onde escreveu acreditar que <b>O \u00daltimo Metr\u00f4<\/b> seria \u201c<i>uma pel\u00edcula f\u00e1cil e agrad\u00e1vel de rodar, assim como todos os filmes onde os personagens s\u00e3o mais importantes do que as situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas<\/i>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Por Bernard Attal<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u00daltimo Metr\u00f4\u00a0(Le dernier m\u00e9tro, 1980) Cor, 131 min, 35mm Diretor:\u00a0Fran\u00e7ois Truffaut Roteiro:\u00a0Fran\u00e7ois Truffaut, Suzanne Schiffman e Jean-Claude Grumberg Elenco:\u00a0Catherine Deneuve,\u00a0G\u00e9rard Depardieu\u00a0e\u00a0Jean Poiret Sinopse Paris, 1942. Durante a guerra, o Theatre Montmartre \u00e9 a principal casa de espet\u00e1culos dos franceses, naqueles dif\u00edceis tempos de guerra. 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