{"id":291,"date":"2014-09-25T20:56:46","date_gmt":"2014-09-25T23:56:46","guid":{"rendered":"http:\/\/coisadecinema.com.br\/cineclubegr\/?p=291"},"modified":"2014-09-25T20:56:46","modified_gmt":"2014-09-25T23:56:46","slug":"monty-python-e-o-sentido-da-vida-the-meaning-of-life-1983","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/textos\/monty-python-e-o-sentido-da-vida-the-meaning-of-life-1983\/","title":{"rendered":"Monty Python e o Sentido da Vida (The Meaning of Life, 1983)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Monty Python \u2013 O sentido da vida<\/strong> (The Meaning of Life, 1983)<br \/>\n<em>Cor, 107 min, DCP<\/em><br \/>\n<span style=\"text-decoration: underline;\">Diretores<\/span>:\u00a0Terry Jones e Terry Gilliam<br \/>\n<span style=\"text-decoration: underline;\">Roteiro e Elenco<\/span>:\u00a0John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin e Graham Chapman<span style=\"text-decoration: underline;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><strong>Sinopse<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Afinal, qual \u00e9 a raz\u00e3o disso tudo? Porque estamos aqui? Qual o objetivo de toda essa charada? Qual \u00e9 o nosso destino? Existe o c\u00e9u e a terra? H\u00e1 vida depois da morte? Reencarnamos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monty Python \u00e9 um grupo ingl\u00eas de humor que come\u00e7ou a atuar no final dos anos 60 na BBC de Londres com a s\u00e9rie <i>Flying Circus<\/i>. Na \u00e9poca, foram ao ar 45 epis\u00f3dios divididos em 4 temporadas. Al\u00e9m de TV, a trupe realizou apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo e filmes. Precursor da com\u00e9dia do absurdo no cinema e tv, o grupo \u00e9 uma forte refer\u00eancia para humoristas de todas as partes do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o humor do Monty Python n\u00e3o se restringe a um c\u00edrculo restrito. O in\u00edcio da carreira em televis\u00e3o favoreceu o alcance de um p\u00fablico amplo e diverso. \u00c9 com essa vantagem que eles chegam ao cinema e realizam 3 longas-metragens. \u201cMonty Python &#8211; O Sentido da Vida\u201d, premiado no Festival de Cannes em 1983, foi o \u00faltimo trabalho com a forma\u00e7\u00e3o original do grupo (John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin e Graham Chapman). Eles s\u00f3 voltaram a se reunir 30 anos depois, em julho desse ano, para um espet\u00e1culo teatral em Londres. Dessa vez, sem a presen\u00e7a de Graham Chapman, que morreu de c\u00e2ncer em 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De volta \u00e0s origens<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cO Sentido da Vida\u201d, o grupo retorna ao estilo original do come\u00e7o da carreira, marcada pelo uso de esquetes, quadros independentes uns dos outros e que possuem uma marca televisiva muito forte, com cenas que dependem muito do texto e dos di\u00e1logos. Vale lembrar que em \u201cO C\u00e1lice Sagrado\u201d (<i>Monty Python and the Holy Grail<\/i>, 1975) e \u201cA Vida de Brian\u201d (<i>Monty Python&#8217;s Life of Brian<\/i>, 1979), o grupo elaborou narrativas lineares em hist\u00f3rias cont\u00ednuas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O longa \u201cO Sentido da Vida\u201d, que \u00e9 precedido pelo curta <i>The Crimson Permanent Assurance<\/i>, escrito e dirigido por Terry Gilliam, \u00e9 dividido em cap\u00edtulos e tem como pano de fundo quest\u00f5es filos\u00f3ficas: Porque estamos aqui? Qual o objetivo de toda essa charada? Qual \u00e9 o nosso destino?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/cineclubegr\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Monty-Python-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-288\" alt=\"Monty Python 2\" src=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/cineclubegr\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Monty-Python-2-1024x536.jpg\" width=\"645\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Monty-Python-2-1024x536.jpg 1024w, https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Monty-Python-2-300x157.jpg 300w, https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Monty-Python-2.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 645px) 100vw, 645px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seis peixes num aqu\u00e1rio (lembrando que seis \u00e9 o n\u00famero de integrantes do grupo) lan\u00e7am essas perguntas ao notarem que um colega est\u00e1 sendo servido como almo\u00e7o para o cliente de um restaurante. At\u00f4nicos diante da cena, questionam: afinal, qual a raz\u00e3o disso tudo? A partir da\u00ed, seguimos por epis\u00f3dios que detalham a exist\u00eancia, do nascimento \u00e0 morte, de um jeito muito particular, ao modo Monty Python: irreverente, an\u00e1rquico e nonsense. O melhor de um tipo de humor que costumamos identificar como brit\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme come\u00e7a muito bem com dois epis\u00f3dios distintos sobre o milagre do nascimento. No primeiro, uma mulher em trabalho de parto \u00e9 conduzida em uma maca para a sala de cirurgia, ou sala \u201cassusta fetos\u201d, como \u00e9 chamada por um dos m\u00e9dicos. A cena possui um \u00f3timo ritmo, o texto \u00e9 \u00e1gil e as situa\u00e7\u00f5es precisas. Ironiza o modo impessoal com que as institui\u00e7\u00f5es hospitalares e os profissionais de sa\u00fade lidam com o nascimento, supervalorizam a tecnologia em si e deixam em segundo plano o ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No segundo cap\u00edtulo, a quest\u00e3o do nascimento \u00e9 tratada num contexto de terceiro mundo. A igreja cat\u00f3lica ao proibir o uso de contraceptivos faz com que uma fam\u00edlia pobre e religiosa tenha uma quantidade enorme de filhos, o que torna invi\u00e1vel para os pais o sustento e manuten\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Em determinado momento, o filme contrap\u00f5e cat\u00f3licos e protestantes em quest\u00f5es de procria\u00e7\u00e3o e sexualidade. Nenhum dos dois lados escapa do sarcasmo do grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No cap\u00edtulo \u201clutar uns contra os outros\u201d, o ex\u00e9rcito, longe de ser glorificado, \u00e9 representado como uma atividade desinteressante e in\u00fatil e que dificilmente se sustentaria se n\u00e3o fosse uma obriga\u00e7\u00e3o. Tanto que o perfil de um general inesperadamente democr\u00e1tico, que consulta se os soldados desejam marchar para cima e para baixo de uma pra\u00e7a ou fazer qualquer outra coisa que lhes interesse resulta numa total deser\u00e7\u00e3o da tropa. Portanto, eles usam o humor e a ironia para tratar temas considerados s\u00e9rios e tabus da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E por a\u00ed o filme segue.<i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Surreal e o Nonsense em Monty Python<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um tra\u00e7o marcante do grupo \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o do humor atrav\u00e9s de situa\u00e7\u00f5es surreais. Em <i>O Sentido da Vida<\/i>, esse recurso atinge o \u00e1pice com a apari\u00e7\u00e3o de Mr. Creosote (Terry Jones), um homem assustadoramente obeso que sofre de acessos de v\u00f4mito e que desfruta de sua \u00faltima refei\u00e7\u00e3o em um restaurante franc\u00eas elegante antes de explodir na frente de clientes horrorizados e de um gar\u00e7om imperturb\u00e1vel. \u00c9 ineg\u00e1vel a irrever\u00eancia do grupo ao construir uma cena t\u00e3o absurda quanto desagrad\u00e1vel, por\u00e9m, muito dif\u00edcil de esquecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/cineclubegr\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Monty-Python-3.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-289\" alt=\"Monty Python 3\" src=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/cineclubegr\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Monty-Python-3-1024x576.png\" width=\"631\" height=\"354\" srcset=\"https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Monty-Python-3-1024x576.png 1024w, https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Monty-Python-3-300x168.png 300w, https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Monty-Python-3-143x80.png 143w, https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Monty-Python-3-887x499.png 887w, https:\/\/acervo.coisadecinema.com.br\/cineclubeglauberrocha\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Monty-Python-3.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 631px) 100vw, 631px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sem regras<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monty Python \u00e9 altamente an\u00e1rquico no uso da linguagem, mesmo que a dire\u00e7\u00e3o seja de Terry Jones, o roteiro \u00e9 assinado pelos seis integrantes do grupo. Por\u00e9m, cada esquete possui uma coer\u00eancia interna. A diversidade est\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o de cada um dos quadros. Dessa forma, sucedem-se na tela narrativas ficcionais, musicais, anima\u00e7\u00e3o, tudo isso de uma maneira muito livre e sem amarras. Em todos os casos, por\u00e9m, o texto possui um papel fundamental, seja atrav\u00e9s dos di\u00e1logos ou das letras das m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ser um longa constru\u00eddo a partir de pequenas hist\u00f3rias, isoladas e sem rela\u00e7\u00e3o entre elas, \u00e9 inevit\u00e1vel que algumas sejam mais interessantes que outras. Isso faz com que exista uma certa irregularidade no filme, com momentos muito bons e outros nem tanto. Pode-se dizer que os esquetes mais precisos, diretos e nonsense representam o melhor do Monty Phyton.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas afinal, qual \u00e9 o sentido da vida?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os quadros do meio pro final do longa parecem cada vez mais distantes da quest\u00e3o inicial do filme. O que um homem extremamente gordo com v\u00f4mitos compulsivos poderia nos responder sobre a quest\u00e3o da exist\u00eancia? E os m\u00e9dicos que matam os doadores de \u00f3rg\u00e3os? Mas, o <i>nonsense<\/i> e o absurdo<i> <\/i>n\u00e3o seriam modos de reconhecer a impossibilidade de decifrar a quest\u00e3o t\u00edtulo do filme? E quando, finalmente, os integrantes do grupo se arriscam a dar uma resposta, ironizam ao dizer as coisas mais \u00f3bvias e senso comum como \u201ctentem ser bons e evitem comer gorduras\u201d. O que eles nos oferecem, portanto, n\u00e3o \u00e9 uma resposta, mas uma estranha e engra\u00e7a jornada.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Por Mar\u00edlia Hughes<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Monty Python \u2013 O sentido da vida (The Meaning of Life, 1983) Cor, 107 min, DCP Diretores:\u00a0Terry Jones e Terry Gilliam Roteiro e Elenco:\u00a0John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin e Graham Chapman Sinopse Afinal, qual \u00e9 a raz\u00e3o disso tudo? Porque estamos aqui? Qual o objetivo de toda essa charada? 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